Salvador: Menina dos meu olhos



                                   
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Este blog tem como objetivo assinalar a importância da história da cidade de Salvador, dando ênfase a Península itapagipana, e como surgiu o bairro da Massaranduba, em especial a Rua Padre José Leal, que fica situada na baixa do Petróleo, como requisito da disciplina de Referenciais Teórico Metodológico da História no /Ensino fundamenta, tendo como orientador o Professor Alfredo Matta. (Discente Vera Lúcia Soares).

SALVADOR A MENINA DOS MEUS OLHOS
  
Salvador foi encontrada pelos portugueses, pois,  houve intencionalidade na chegada das naus comandadas por Tomé de Sousa aqui na Baía de Todos os Santos, o que ocorreu, foi o resultado da corrente marítima era uma rota natural, a navegação era a vela e os ventos inexistentes traziam as embarcações para a Baía de Todos os Santos mais especificamente para a enseada no Farol da Barra. Quando aqui chegaram já existiam moradores, haja vista, que os índios da tribo Tupinambá já eram habitantes do local. A cidade de Salvador também foi projetada para ser protetora e fortaleza, devido a sua localização privilegiada e suas qualidades portuárias, que faziam com que ela se colocasse na centralidade das relações comerciais entre Portugal, África e Ásia, assinalando que já fazia-se o uso da energia eólica, a importância dessa rota é Cabo Verde. Com a carreira das índias tudo que vinha pelo mar saindo de Cabo Verde era direcionado a salvador Bahia.  

A cidade de Salvador foi escolhida para ser capital de Portugal, pelo fato dela absorver a função de oferecer segurança as paradas das embarcações que aqui chegavam e devido suas condições estruturais naturais. A escolha foi estratégica por que Salvador foi a primeira cidade   planejada. Os invasores também observaram que esta cidade se posicionava em um ponto favorável onde comandava e dominava uma Baía de grande potencial e tinha a perspectiva de dá suporte para as rotas que vinham do Oriente e por ocupar a centralidade da exportação de açúcar, e também da  relação direta com a economia açucareira, pois a região do nordeste foi a grande produtora deste produto e por longo tempo foi uma das mais lucrativos e importante riqueza explorada pelos  colonizadores. Nesta ocasião Salvador foi o elo facilitador de comunicação entre os grandes polos produtores de açúcar, Salvador tornou-se então o centro de decisões, do comércio de trocas e vendas. A Cidade do São Salvador da Bahia de Todos os Santos foi a capital, e sede da administração colonial do Brasil até 1763.  
Portanto, a cidade de Salvador teve uma importância grandiosa para o desenvolvimento do seu entorno, por que,  supria  as necessidades das cidades e comunidades em seu entorno, por ser ponto de confluência de todos os povos, religião e culturas, nossa ancestralidade foi construída com a influência de várias etnias e por deter a facilidade de comunicação da África e Europa pela contribuição da corrente marítima natural. Enfim, a cidade de Salvador já nasceu uma  estrela muito importante, e uma cidade mundial, em sua explosão de desenvolvimento ela foi menina, moça e senhora em velocidade máxima. 

CONSTITUIÇÃO DA POPULAÇÃO 
Desta forma estas demandas colaboravam assim com a formação de uma população mestiça (portugueses, escravos/negros e africanos) que eram trazidos em grande quantidade para suprir as necessidades de mão-de-obra para o cultivo da cana-de-açúcar.
  
A PRETENSÃO RELIGIOSA 

O catolicismo foi à primeira religião a ser instalada na cidade de Salvador, seu  primeira sede para abrigar o bispado católico no Brasil, os Jesuítas, para isso foi fundada a Casa Pia para suprir as necessidades do clero português. No século XVIII, surgi a igreja da boa Viagem e já existia a igreja do Bomfim. A Península foi agraciada com igrejas de diversas religiões, a igreja nossa Senhora da Piedade da Massaranduba, a Capela de Nossa Senhora de Fátima, a Igreja de são Jorge. As igrejas Evangélicas: a Batista Nova Esperança, a igreja Batista de Itapagipe na Massaranduba. Existem também os Centros espíritas, em evidência o Centro Espírita Cavaleiros da Luz, e terreiro de Candomblé como exemplo o terreiro de Oxossi,  Mãe Lindaura, Casa branca, na rua 6 de Janeiro e o terreiro Mãe  América, na Massaranduba. 

FREGUESIA DE NOSSA SENHORA DA PENHA 

A estrutura de Salvador foi dividida em dez (10) grande freguesias, (Pilar, Santo Antônio Além do Carmo, Brotas, Vitória...) e o bairro da Massaranduba como integrante da península Itapagipana fazia parte da freguesia de Nossa Senhora da  Penha em Itapagipe, que foi levada à categoria de freguesia, depois das outras nove, pelo Arcebispo D. José Botelho de Matos, em 1760. O Arcebispo demostrou preferência ao local por ser este bastante longe do centro, onde havia, em 1745, lançado a 1ª pedra da igreja do Bonfim. Ali o Arcebispo providenciou a sua residência de verão e foi para lá que Ele foi recolher-se quando foi destituído de suas funções arquiepiscopais, pelo apoio discreto que dera aos padres da Companhia de Jesus, expulsos do Brasil. Nesta freguesia, era acolhidos as pessoas necessitadas de repouso. A freguesia da Penha abrigava a população de baixa renda da cidade e foi desmembrada do Pilar na Roda da Fortuna. Sua igreja matriz era a da Penha, que ficava próxima à casa de verão dos arcebispos, e tinha dento dos seus limites as igrejas e capelas: Senhor do Bonfim, Nossa Senhora da Conceição da Passagem, Nossa Senhora do Rosário, São João Batista, hospício de Nossa Senhora da Boa Viagem, dos Franciscanos e Nossa Senhora dos Mares. 

A PENÍNSULA DE ITAPAGIPE A PRINCESINHA DA CIDADE BAIXA


Após o Brasil ser “descoberto” (1.500), a Península foi por longo tempo um  conjunto somente com tabas indígenas à beira mar, abandonado aos índios, pela posição afastada do primeiro povoado da Vila-Velha (primeira cidade) que limitava entre a Graça e o corredor da Vitória. 
A fundação da cidade (1549) leva o arraial a desenvolver-se aos poucos, neste período já existia pequenas edificações cobertas de palma que se entremeavam na floresta peninsular. A partir de 1550 no entanto, já existia na praia de Itapagipe duas olarias que  pertencia Garcia d’ Avila e um curral de vacas, para insatisfação dos moradores desta área que apesar de  ser pequena teciam grandes reclamações  quanto a presença do curral  que só foi desativado  com o falecimento do Visconde da Torre de Garcia d’ Avila seu dono. Neste período, a capital (Bahia) tratava  de proteger e assegurar que suas terras não fossem  invadidas, providenciando a construção de diversos fortes. O primeiro  forte a ser construindo foi o de Santo Antônio da Barra(1536). 

REFÚGIO  DE ESCRAVOS

Devido ter uma enseada de calmaria, as praias da península de Itapagipe serviam de desembarque de grandes quantidades e variedades de mercadorias, e ali também se fazia o conserto e reparos dos navios, assim aparecendo várias oficinas oferecendo estes serviços e a área foi denominada de Porto dos Mastros, por que ali eram abandonados muitas embarcações e mastros, formando um cemitério. 
Existia na praia da Ribeira, principalmente áreas onde localiza-se enormes cardumes de peixes tainha e por esta razão os pescadores  marcavam presença constante, e denominaram este pedaço de mar de “Enseada dos Tainheiros”.  Quando a maré vazava as marisqueiras se alegravam e começavam a fazer o seu trabalho de catar na beira das praias e dos mangues os deliciosos mariscos para satisfazer as suas necessidades e colaborar também com o desenvolvimento do comércio da região. A mariscagem por seu caráter de transmissão de conhecimento de mãe para filho, pode ser considerada uma tradição. enquanto tradição pode ser entendida como manifestação cultural para as famílias que vivem desta atividade (SANTANA e SERPA,2007). No caso essas manifestações de cultura estão ligadas a identidade assumida a partir de experiências cotidianas com a pesca.
http://laprensa.com.ni/2010/03/28/nacionales/20448-golfo-de-fonseca-frontera-trinacional

Percebe-se que a importância do extrativismo como instrumento para manutenção da cultura popular da população local. constituindo uma cultura não só material, mas acima de tudo uma memória histórico cultural que liga o grupo ao lugar e lhes confere uma noção de identidade em relação a outros (SIMONIAN apud LAZARIN,2002).  






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Porém, devido ao processo de aterramento da maré  pelos seus moradores, os mangues foram escasseando e sumindo paulatinamente, dando origem aí aos bairros da Massaranduba, do Jardim Cruzeiro e do Uruguai.
No início do povoamento, a península, tinha poucas habitações, e locais como: avenida Caminho de Areia, Bogari, e Ilha dos Ratos servia de esconderijo de escravos fugidos das fazendas e dos casarões. Apesar do tráfico livre em 1915, mesmo assim existia o leilão dos escravos que chegavam pelo mar. O local utilizado para este serviço era a Ponta de Humaitá dentro de um dos casarões escolhido para este fim. O sofrimento dos negros era insuportável, era desumano as condições de trabalho a eles destinado. Até nos passeios dos seus senhores eles tinham que carregar os arruar nas costas.
Com a chagada da industrialização, Itapagipe teve uma grande virada, por que os alambiques trocaram seu rumo de negócios, surgindo assim novas fábricas, como as fábricas de doces, enrolas de fumo, evidenciando o aparecimento das indústrias têxteis, que foram as colaboradoras para o desenvolvimento e o progresso no ramo industrial do Brasil. Em Plataforma foi implantada a fábrica de Tecidos São Brás, e no bairro da Boa Viagem,  no Luíz Tarquínio, surgiu por volta do ano de 1892  a Empório Industrial do Norte, e, para abrigar todo o contingente de operários foi construída a Vila Operária, onde os funcionários garantiam o direito de: casa, escola e creche médico e biblioteca para os filhos dos funcionários da fábrica, porém a carga horária destes operários era bastante degradante, o preço era muito alto.


BAIRRO DA MASSARANDUBA 

Fonte: Acervo Pessoal

O bairro tem pouca extensão, e não tem mais para onde se desenvolver, sua população é de baixa renda, não possui serviços bancários, o comércio não abarca nenhuma loja de departamento, porém, os serviços de comércio ambulante é bem forte.
O bairro da Massaranduba surgiu na década de 40, como grande extensão da enseada dos Tainheiros. Neste período a Península Itapagipana era o aterro sanitário da cidade de Salvador, pois todos os dejetos advindos da cidade alta era descartado nessa área onde foi construído os bairros que fazem parte da Península de Itapagipe que tiveram seus terrenos consolidados devido ao uso indiscriminado de produtos químicos como: sulfato de cobre e o uso de areia e barro. 
Nesta  época as palafitas já tomavam conta de boas parte do mar da Baía de Todos os Santos (maré) e tudo foi encoberto pelos aterros  e aqueles moradores que já tinham a posse de sua palafita, também foram contemplados com o título de propriedade do terreno, surgindo assim, os bairros da Massaranduba bem como, Uruguai, Ribeira, Jardim Cruzeiro, hoje chamado de Vila Ruy Barbosa, Bonfim, Caminho de Areia, hoje Avenida Tiradentes...) sem ordenação urbanística e sem estrutura nenhuma. 

Apesar de todas as dificuldades que o bairro passou e continua passando, como: essa falta de estrutura (bueiros para escoamento das águas da chuva, saneamento sanitário básico, e outras questões, a Massaranduba fica em uma parte da cidade de Salvador (baixa) onde esta localizado os mais belos postais da cidade de Salvador como: Forte de Monte Serrat, Humaitá, Igreja do Bonfim, Nossa Senhora da Boa Viagem, Igreja da Conceição da Praia, Igreja da Penha, e dos Mares, Mercado de Iaô dentre outros, 
Enfim embora com suas mazelas o bairro da Massaranduba e seu povo consegue sobreviver com sua alegria que eles mesmo inventam como ensaio de blocos carnavalesco (Muzenza), o bloco da Ressaca na quarta feira de Cinzas, e o churrasco e a cerveja na nova orla, onde se localizavam as palafitas. 


Fonte: Acervo Pessoal
A Rua que passei boa parte de minha infância e adolescência. 

Fonte: Acervo Pessoal

A Rua Padre José Leal, nº 20 que fica localizada na Baixa do Petróleo no bairro da Massaranduba aqui na cidade do Salvador, foi onde vivi minhas experiências na transição da infância para adolescência, é uma viela pois, não existe saída. A rua era tranquila quando chegamos para morar; meu pai comprou a casa por intermédio de um tio meu que já morava no bairro. 
O nome da rua foi escolhida pelos antigos moradores na ocasião que a prefeitura foi colocar os letreiros dos logradouros. Escolheram o nome do padre da Paróquia Nossa Senhora da Piedade que foi construída no fim de linha  do bairro, como homenagem e agradecimento dos bons serviços prestados pelo padre. Padre José era famoso pelos seus fervorosos sermões, e levou muito tempo a frente da condução e ministração na igreja; hoje é falecido. 
Nesta rua efetivei muitas boas amizades ,companheiros de diversão e todas as horas. Foi uma fase que vivíamos livres sem nos preocupar com a violência, nem com a insegurança, brincávamos de baleado, garrafão, os menino de pipa, peteca, bola, gude, empinar arraia, fura pé, e outras brincadeiras. 
Eramos felizes e não sabíamos. Infelizmente nossos filhos não podem vivem num ambiente tranquilo e seguro. Contudo, como tudo que o homem toca ele acaba tirando a sua essência, depois do aterramento a população aumentou e veio gente de toda parte fazer parte da comunidade, e , as demandas de moradias não eram suficientes para abrigar tantas pessoas, os conflitos começaram a surgir acabando assim com a calmaria do lugar.   



Comentários

  1. Adorei o blog! Muito explicativo. Ajudou-me a saber mais um pouquinho sobre o bairro que meus pais cresceram. Parabéns!!

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    1. Que bom Carol que colaborei com informações para vc compreender um pouco a trajetória de seus pais neste bairro. Obrigada

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  2. Maravilhosa a ideia de contemplar a história da nossa cidade, mostrando o que já ocorreu aqui, e no que se tornou!!

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  3. Parabéns Vera pelo seu blog muito criativo e enriquecedor para pesquisas sobre o seu bairro.

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    1. Oi Cristiane, fico feliz em poder contribuir com outros pesquisadores. Obrigada pelo comentario

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  4. Parabéns Vera!, seu blog está muito bem contextualizado e com informaões bastante enriquecedora.

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  5. Parabéns prima muito boa essa ideia do blog mostrar como era e como é hoje o bairro que tivemos boas recordações muitas coisas que muitos passaram a conhecer através de suas informações. Bjs

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  6. Obrigada Heleninha, espero que tenha contribuído com sua história.

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  7. Parabéns Vera!Achei muito interessnte o seu blog.Nasci na cidade baixa e pouco sabia a respeito do bairro.E foi muito gratificante ler o seu blog!

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  8. Amei conhecer esse lugar de grandes diversidades parabéns pelo blog....

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  9. Amei conhecer esse lugar de grandes diversidades parabéns pelo blog....

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  10. Olá Vera, muito rico seu blog, informações riquissima sobre seu bairro e que bom estudar a fundo o lugar onde vivemos parte de nossa vida.

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  11. Vera você está de parabéns. Seu blogger é enriquecedor, adorei conhecer esse bairro.Encantada!

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  12. Sua narrativa acerca do bairro foi rica em detalhes. Interessante como vc amarrou os fatos resultando num rico trabalho. Tive no passado e ainda tenho muita vivência nesse bairro. Tenho muitas lembranças. Uma pena que esteja tao esquecido.
    Parabéns pelo bom trabalho.

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  13. Bom saber a fundo, através de uma vivência pessoal como se deu a história de um dos bairros mais importantes de Salvador. A senhora conseguiu descrever de forma simples a Massaranduba de sua infância, gostei bastante quando fala de sua rua e das palafitas. Parabéns!

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  14. Fiquei muito feliz de participar da entrevista desse bog, relatando minhas experiências e vivencias. Foi ótimo poder relembrar tudo que passei e saber que tudo isso vai servir para de fonte de conhecimento para outras pessoas. Parabéns Vera Lucia!

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